O último trevo

Foram dois dias, 14 e 15 de março de 2020.  Sábado, Festival brasileiro da cerveja, diversão, risadas, pérolas, fotos, amor e novos amigos, parcerias. Domingo, acordar com um beijo, lavar o rosto e ir dar uma volta de carro, encontrar amigos, ouvir música, beber cerveja, rir..... dormir feliz. Era St. Patrick´s day. A cerveja estava verde, o mundo estava verde... o mesmo verde do Leprechaun, o mesmo verde da esperança.

Mas a sombra de um vírus estava se aproximando. Aproximou-se e assombrou, isolou e matou. Matou de várias formas. E colocou a vida entre pequenos muros, como se fossem nossos próprios muros de Berlim. 

A vida sucumbiu. Tudo desmoronou. Vida amorosa encerrada, vida profissional posta em risco, famílias perdendo entes. E o medo.

"Lives" tentando aproximar as pessoas. Fazendo tentar parecer estar tudo bem. "Delivery" foi e ainda é a palavra da moda. Eu chorei. Chorei por ver a vida de muitos sendo reduzida em todos os sentidos. Amigos fechando as portas. Fomos nos ajudando e ainda estamos do jeito que dá. Eu chorei por nós, vós, eles e elas. Nós choramos.

O mundo, em partes, ficou em silêncio. As ruas,os lugares, e muitas pessoas ficaram vazias. Os decretos vieram. A sobrevivência é real.

O Leprechaun não riu mais. Não tinha mais tesouro. O trevo de quatro folhas se perdeu.

Eu fecho os olhos e volto naqueles dois dias de março. Depois foi difícil sorrir, rir, pensar....

O tempo não volta mais. Fechar os olhos alivia. Muita coisa mudou e irá mudar. Novos amigos vieram, velhas alianças se fortaleceram. Sobrevivência.

Onde está você Leprechaun? Não nos traga ouro, somente um trevo de quatro folhas que traga a sorte de voltarmos a sorrir.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ELES E EU

AS PALAVRAS